#Travel

SINGAPORE.

22nd October 2018

By João Tamura

Como nós, que nos precisamos, há lugares que precisam de outros lugares para existirem. 

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Singapura, pós-aterragem, é humidade que se adentra no corpo, num quase sufoco. as peles tocam-se e, sobre elas, uma fina camada de água - tanto o calor.

 

Singapura são carruagens de metro cheias, com pessoas tão diferentes entre si como as línguas e dialetos que no ar ecoam. A carruagem que nos transporta embala-nos. Abraço-a enquanto os nossos corpos arrefecem sob o ar condicionado -  o mesmo que nos separa do calor que enche as avenidas, os quartos, as mercearias, os mercados, os templos.

 

Acordamos com ecos de uma prece - murmúrios que nos chegam vindos de um templo próximo. As ruas infinitas e Singapura é o cheiro a fruta fresca em Chinatown, ou o aroma a incenso, de madrugada, antes do sol nascer, nas ruas de Little India. É um quase-verão eterno - banhos de mar e a pele salgada. Adormecemos na areia sob céus nublados. Quando despertamos, um comboio leva-nos a casa. A noite recebe-nos com luzes de néon que banham a face, os braços, as mãos. Convida-nos à queda: comemos e bebemos, vagueamos até nos perdermos, até um qualquer autocarro nos obrigar ao regresso e nos levar até ao lugar desde onde começámos.

 

Nós, que voltamos sempre à casa de onde partimos, somos como Singapura: precisamos de outros lugares para existirmos, caso contrário, nada somos.

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Like ourselves, who require each other, there are places that require other places to exist.

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Singapore, post-landing, is moisture that penetrates the body, almost suffocating. Skins touch and on them a thin layer of water - merging with heat. 

 

Singapore is crowded underground carriages, with people as different from each other as the tongues and dialects in the air which echo. The carriage that transports us, sways us. I embrace her as our bodies cool under the air-conditioning - the same thing that separates us from the heat that fills the avenues, the rooms, the grocery stores, the markets, the temples.

 

We wake with echoes of a prayer - murmurs that come to us from a nearby temple. The endless streets and Singapore is the smell of fresh fruit in Chinatown, or the aroma of incense, at dawn, before sunrise, in the streets of Little India. It is an eternal quasi-summer - sea baths and salty skin. We fell asleep on the sand, under cloudy skies. When we wake up, a train takes us home. The night welcomes us with neon lights that bathe our face, our arms, our hands. It invites us to fall: we eat and drink, we wander until we lose ourselves, until any bus forces us to return and take us to the place from which we started.

 

We, who always return to the house from which we left, are like Singapore: we need other places to exist, otherwise we are nothing.

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